Desde que esta história tornou-se pública algumas inquietações me incomodavam. Mas o dia de sua partida com seu pai passou dos limites o meu suposto silêncio tolerante. Que espetáculo vergonhoso! A começar pela imprensa, que em nome da tal liberdade de imprensa fazem qualquer coisa, sem arcar com nenhuma responsabilidade. Se não, vejam as imagens: um círculo de abutres enfiando câmaras e microfones pela cara de todo mundo. Nem andar era possível. O mesmo fizeram com aquela mãe que enterrava a filhinha e tudo o que desejava era colocar uma bonequinha no túmulo. Havia câmara de TV a meio metro do rosto dela! O zoom serve para o que? Esqueceram? Absurdo de invasão na vida das pessoas! E chamam a falta de educação e ética de “liberdade de imprensa”... E a nossa liberdade e privacidade?
Outro espetáculo deprimente essa avó! Quando a filha dela enganou o marido dizendo que viria ao Brasil para férias e depois avisou que não voltaria e reconstruiu sua vida dando ao filho outro pai, será que ela achou que estava errado? Pensou em algum momento que sua filha havia cometido um crime? Sim, porque rapto é crime! Não alegou que era desumano separar o filho de seu pai? Não se preocupou em chamar advogados e dar declarações a imprensa para garantir os direitos alheios? Claro que não. Pessoas como essa senhora parecem acreditar na lei quando desejam algo em benefício próprio e não como norma da sociedade para ser respeitada por todos. Não satisfeita com cinco anos de ilegalidade e rapto ainda deu um espetáculo deprimente em sua “coletiva”, dizendo um absurdo atrás do outro! Falava como se até o presidente da república devesse atendê-la muito especialmente. Quase como quem pede ao presidente que desrespeite o Supremo, para atender a seu desejo. Que loucura! Imagine que absurdo o presidente não respondeu à carta dela! Que ato desumano separar a meia irmã do meio irmão! Mas não é separá-lo do próprio pai? Minha senhora, me parece perdeu completamente o senso de tudo! Apoiou sua filha num ato ilegal, perdeu a mesma no parto da segunda filha e agora deseja mantê-la viva ficando com os filhos dela? Essas crianças não são sua propriedade. Aliás, devo recordá-la que jamais serão, porque pertencem a si mesmos e por suas atitudes tenho dúvidas se Sean algum dia chegaria a entender que é um ser livre.
Espero que a senhora reveja o tanto de coisas absurdas que disse em rede nacional e que, se Deus quiser, um dia Sean ira ver também e poderá fazer por si mesmo um juízo de suas atitudes, supostamente em nome dele, pela felicidade dele, mas decidido pela senhora...
Quero lembrar que não há muito tempo acompanhamos o desespero de uma mãe que teve seu filho raptado pelo pai, ela brasileira, ele do Oriente Médio e que não fossem essas mesmas leis, esses mesmos acordos internacionais, jamais teria podido recuperá-lo. Mas um país que não cumpra os acordos e leis, internas e externas, não poderá fazer-se respeitar quando necessário. E a senhora acha que por sua felicidade egoísta e ilegal deveríamos abdicar dos direitos de todas as mães e pais que sofrem a mesma situação de rapto de seus filhos? E não são poucos...
Minha senhora, reflita, por favor, quem sabe encontre as verdades eternas acima de egoísmos que nos tornam mais humanos...
Quanto a você Sean, que bom vê-lo sorrindo ainda no avião, longe de neuroses alheias, mostrando a si mesmo sem intérpretes das tuas emoções. Rindo e depois dormindo calmamente, desmentindo tudo que havia sido tido sobre teus sentimentos. Que bom! Te desejo um Novo Ano numa Nova Vida e que você aproveite todo o amor que está recebendo e todas as oportunidades que virão. Que você cresça em sabedoria e amor de modo a congregar famílias e não desuni-las. Sobretudo, que você saiba ser muito, mas muito feliz!
Cristina Manga
(in "Crônicas")
(in "Crônicas")
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