Isnar de Moura primeira mulher jornalista a trabalhar na redação do Jornal do Comercio,

Homenagem a Isnar Moura em seus 90 anos, apresentada a ela em reunião da Academia de Artes e Letras do Nordeste, na residência do Dr. Abdias Moura, sob a Presidência da escritora Ana Maria César.
- Oi! O que você está aprontando agora?
- Eu não apronto. Só alinhavo.
- Como é? Sem agulha e linha?
- Pois é.
- E nada! Está escrevendo números! Olha aí, 9, 0... Ë matemática e não alta costura.
- Nada disso. Você vê tudo ao contrário! Eu alinhavo, não costuro. E isto não é matemática. É vida.!
- Está brincando! 9 é nove e 0 é zero. Em todo caso 90.
- Isnar, dá-me paciência! Não vê que é um círculo, bonito, redondinho como planeta, laranja, sol! É a unidade!
- Que nada! Unidade é 1 e 0 é zero!
- Discordo. Unidade é o somatório da diversidade integrada pelo alinhavo dos poetas.
- Ah! Agora quer me convencer que poesia é vida?
- Não. Demonstro apenas que vida é poesia, quando se alinhava direito.
- Ah, é? Então como fica o 9, que tem um círculo mas escapa uma perna para lugar nenhum?
- Bem, é simples.
- Simples!?
- Sim. O 9 é o todo um que estica a perna para chegar até os outros números.
- Pra que?
- Para praticar o que ensina!
- Não entendi...
- Ora, quando se tem um zero e ganha-se um nove na frente é porque se descobriu a linha do alinhavo!
- Êta coisa enrolada!
- Não. Coisas alinhavadas...
- Isso parece letra de música.
- Agora você acertou. Para se chegar a ter 9 e 0 precisa-se passar pela música, aprender e ensinar o “a bá”, falar pelo jornal o que todo mundo sente mas não diz, virar menino de rua, sendo sempre aprendiz. Digamos, ficar com 7 ou 9 anos enquanto o tempo colore pelas mãos de Saturno as rugas, a pele, os olhos, sem mudar o olhar. Desse se encarrega Júpiter.
- Ora bolas! Agora que me perdi todo! Como ir de números a planetas, aprender ensinando, escrever o que ninguém diz, ser grande sendo criança, fazer palavras virarem músicas, matemática poesia e no final misturar tudo com o alinhavo da perna do 9 e sem fio de bordar?!
- Aí você se engana. O fio existe. Ë você que vê tudo ao contrário. Pegue aquele espelho...
- Qual?
- Aquele ali com o 9 seguido de 0. Marca das boas!
- Que marca?
- ISNAR MOURA
- e O QUE FAÇO AGORA?
- Olhe por ele e você vai ver o nome da marca do fio que tudo alinhava.
- Nossa! Cadê?
- Já vi! Mas aqui tem r, o, m, ...
- Você vê ao contrário! Olhe pelo espelho!
- Ah, Víje! Ficou fácil! O fio que tudo alinhava chama-se amor... Amor!
Cristina Manga
(in Alguns Retratos")
MERECIDA HOMENAGEM A MINHA CONTERRÂNEA, POR ISSO GOSTARIA DE SABER QUAL FOI O DIA DE SEU FALECIMENTO E EM QUE CEMITÉRIO FOI SEPULTADA.
ResponderExcluirUM ESPECIAL ABRAÇO.
JEOVÁ BARBOZA DE LIRA CAVALCANTI
TIMBAÚBA - PE.
e-mail: barbozalira68@hotmail.com
Infelizmente não tenho essas informações.
ExcluirCaso venha a conseguir posto aqui.
Obrigada
Cristina Manga
Esse, em particular, me emociona e me arrepia. Sinto essa homenagem além do que posso explicar.
ResponderExcluirContinua!
Paulinha
Não precisa explicar. minha satisfação é ver que o texto toca quem o lê.
ExcluirMissão cumprida!
Obrigada!