sábado, 15 de fevereiro de 2014

BÊNÇAO



                               
Escuro. Medo. Multidão.
Corro por ruas molhadas
sem achar nada.

Mãos, milhares,
apertam a garganta
os passos
as travessas
às avessas.

Eis à porta
da igreja fechada
onde esmurro
sem palavras.

Uma Luz invade.
Cone de Estrelas
abre-se
e resgata o que sobrou
dos meus ais inúteis.

Brilha o encanto
do Som Maior
a romper meu peito
e lá, coração à espera,
espada escura
afasta-se,
outra ajoelha-me
e consagra.

Ultrapassei a morte.
Eis-me salva.
À revelia de toda
escuridão
ouvi Deu
e vi Sua Mão.


Cristina Manga
(in "Luzes")


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