O grito explodiu tarde.
Demorou tanto que matou
o que restava de amor.
Ficou um fantasma
daquele que sempre sorria.
A metamorfose começou
de homem para ermitão,
de ermitão para urso,
de urso para porco,
de porco para a morte.
Morreu de mãos vazias.
Foi-se em silêncio
o homem que amava o barulho.
Acabou-se num pulo
que tentou por sobre as sombras.
Se acabou no fundo do poço
e só se ouviu o grito.
Cristina Manga
(in "Pelos Caminhos, só")

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