Explodirei em cantos
o dia que fique muda
para aqueles ouvidos torpes
que tropeçam em palavras vãs
e acreditam poder esconder
trás o sorriso
a mentira diária
de autossuficiência.
Deixarei meu sangue fluir
oxigenando minhas ruas
e meus dedos afagarão
as luzes da cidade nua.
Serei, então, uma gaivota
em voo
bêbada de liberdade
e sua.
Cristina Manga
(in "Pelos Caminhos, só"

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