Sem tempo,
sem gesto, sem gosto,
nem teto para os desgostos.
Sem lágrima, sem riso,
sem rastros, sem riscos,
só silêncio só.
Belisca-me!
Estou dormindo espantos
e me assusto sem prantos
ao ver que me acostumo
a viver só.
O tempo passa,
passa-passa gavião
não tenho mais asas
ando grudada no chão!
E cadê o pão?
Minguado, ressecado,
tímido atrofiado
vai me vendendo a vida
a fiado.
Cristina Manga
(in "Pelos Caminhos, só")

Nenhum comentário :
Postar um comentário