Mulher nasci
e criei-me como todas:
algo de Maria,
algo de Madalena.
Fui parindo filhos e sonhos.
Os filhos cresceram,
os sonhos esqueceram-me,
o cotidiano mentiu-me flores
que não pedi.
Em medos e silêncios me escondi.
Ficou como companheiro um vazio
denunciando ausências,
roubando vivências
que não conheci.
Na beira d’Água,
no caminho do Sol
compreendi:
mulher é Amor concreto,
completo,
de dar e de sentir.
Mulher é força e ternura,
sensualidade e loucura,
prazer e lucidez,
gerando o mundo
com útero de arrepio e calidez.
Sigo o meu caminho
inteira como quis,
com sonhos de passarinho
que me tornaram aprendiz.
Grávida de fantasia
solto aqui a minha poesia
para cantar por mim
esse mundo de oceano
que habita
quem o queira possuir.
Então serei mulher gaivota
livre e feliz!
Cristina Manga
(in "Amor Marinho")
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