sábado, 7 de dezembro de 2019

QUARTO CRESCENTE



Um  mundo
borbulha
dentro
por dentro
no sou
és
somos
seremos.

Um mundo
sonho
sonhado
ensolarado
parado
no sonhar.

Borbulho eu
borbulha o Sonho
borbulhamos nós.

Cristina Manga
(in "Momentos e Ventos")


sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

DICOTOMIA





Definitivamente
não sou meu corpo.
Essa figura no espelho
não conheço.

Pele flácida
rugas e manchas
cansaços
e tempos...

Não.
Não sou meu corpo.

Meu coração dança
minha mente viaja
e sou  um turbilhão de sonhos
e desejos sem idade
nem limites.

Sou de fato tudo
que meu corpo não permite,
porque não sou meu corpo.

Nessa agonia do que sou
e deste corpo
correm meus cotidianos
sonhando encontros
e danças
que me fazem criança.

Não posso ser definida
por este corpo
nem pelos olhares
dos que passam por mim.

Não sou meu corpo.
Sou tudo que vivi
e ainda vive em mim.

Cristina Manga
(in "Momentos e Ventos")



sexta-feira, 8 de novembro de 2019

LOUCURA

 

Criador: kenkuza  
Crédito: Getty Images/iStockphoto



Aqui estou
no silêncio de um absurdo.
Espantalho
em campo sem colheita

Pensamentos
flutuam entre o ontem
e o amanhã sem momentos.

Leito de rio seco
é o que resta
e no centro
desvairada
teimosa flor
brota.

Cristina Manga
(in "Momentos e Ventos")

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

EPÍGRAFE do livro CRÔNICAS

Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.
    Bertolt Brecht


sexta-feira, 7 de setembro de 2018

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

UM ATENTADO E MUITAS VIOLÊNCIAS


A Lei do Retorno não obedece a preferências políticas ou de classes. Ela é inexorável para todos. E aqueles que ainda não entenderam que as coisas seguem como consequência do que plantamos se enganam e pagam um preço até aprender. E muitos continuam sem perceber isso, ou insistindo em manter suas atitudes nada positivas e menos ainda empáticas. Uma lástima. 

Uma pessoa que há anos agride, insulta e incentiva a violência sofreu ontem uma violência que repercute pelo país. Alimentou o ódio, a intolerância e insuflou e insuflam ainda seus apoiadores, toda sorte de comentários violentos. Enquanto seus opositores condenam o ataque, seus apoiadores mantêm as posturas de ódio, de violência, doentes de raivas de toda sorte. O que para o mundo civilizado é um ato inadmissível, para seus seguidores é mais um motivo para insuflar a violência e impor suas ideias. Lamentável e preocupante, demonstra nossa imaturidade democrática e nosso despreparo político. 

São tantas as mentiras, os “fakes” e as manipulações da imprensa, que um grande número de pessoas, inclusive eu, duvidaram ou ainda duvidam do fato, questionando se tudo não passa de uma grande armação para conquistar votos e diminuir rejeição de 44% dos eleitores. Ainda mais quando na véspera é divulgada essa pesquisa e estranhamente o candidato se reúne secretamente com os donos da Rede Globo, emissora envolvida em falcatruas eleitorais conhecidas largamente. E quando vejo a intensa cobertura e o “tom” que essa emissora dá ao atentado, me preocupo mais ainda. 

Democracia é o exercício da discussão política através de ideias e não de violências, insultos, mentiras e ou agressões de qualquer espécie. E com certeza um suposto plano de governo que propõe armar a população civil e declara que se eleito vai “metralhar” opositores, acaba por libertar as loucuras das pessoas e incentivar loucos a cometer atos absurdos. A história mostra vários exemplos disso. E claro que sempre usam o nome de Deus e se declaram devotos! Supostos “homens de bem” que deixam longe o Bem. 

Somente uma sociedade doente pode apoiar propostas que desconhecem marcos civilizatórios mundiais como direitos humanos. E quando agimos como animais numa selva outros animais atacam, sentem-se legitimados a atacar. Colhemos o que plantamos. Isto é fato. 

E enquanto todos se ocupam em discutir o atentado, o desgoverno que nos mata, rouba e entrega o país a preço de banana (acho que a banana está mais cara que nossas empresas) continua com a destruição de nossas riquezas e nosso futuro enquanto nação. E na TV o horário eleitoral e sabatinas com candidatos desfila discursos vazios, promessas mirabolantes, despreparo de candidatos, mentiras ensaboadas de supostas soluções, tudo igual a sempre... Deputados que pretendem compor o Congresso! Gente que ajudou o golpe se propondo ser a salvação do golpe governando o país! E hoje celebrando a Independência! Será que Deus ainda é brasileiro? Oxalá!

Cristina Manga
 (in Crônicas")


segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O LUTO QUE NOS UNE



Está difícil dizer bom dia hoje. 
Todos os dias perdemos vidas, perdemos trabalho, perdemos assistência à saúde, perdemos segurança, perdemos em educação e vemos crescer a cultura do abuso, do ódio cego, da agressividade, do cinismo jurídico, da injustiça, da falta total de respeito à nossa Constituição, da banalização da violência e da morte. Na noite de ontem perdemos nossa memória. Nossos algozes fazem discursos como se nada de culpa tivessem nessa perda incalculável e irremediável. Talvez, salve-se a fachada do Museu. Assim como fica a “fachada” dos responsáveis posando de santos. Um discurso de fachada, enquanto assinam uma PEC que congela por 20 anos os investimentos nessas áreas e o Congresso assina. É cinismo demais. Não há dinheiro para a preservação dos direitos do povo, não há para a preservação da natureza, nem para preservar nossa memória. Mas há dinheiro para pagar votos comprados a favor de reformas absurdas, há para pagar salários indecentes ao judiciário (começando pela Suprema Corte!). Vergonha, tristeza, indignação. 

O incêndio que destruiu nosso Museu Nacional no Rio de Janeiro é um símbolo, uma materialização de tudo que estão queimando, destruindo, descuidando, abandonando do nosso patrimônio humano, cultural, econômico e social. Uma enorme tristeza se abate sobre nós. Incalculável sim, mas espero, porque sou teimosa, não seja irreparável para o que reste de dignidade, de consciência do bem comum e não individual somente, para o que resta de ser humano num povo que sempre foi acolhedor, esperançoso e gentil. Que a tristeza que hoje se abate sobre nós não diminua nossa vontade de luta por todos, por uma nação que clama por justiça, por igualdade, por direitos inalienáveis de todo ser humano! Basta!

Cristina Manga
in "Crônicas")


sexta-feira, 16 de março de 2018

REFLEXÕES NECESSÁRIAS SOBRE A INTERVENÇÃO MILITAR NO RIO

O Conselho Federal de Psicologia reuniu, no dia 7 de março de 2018, no Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 12 profissionais da área para abordar a relação da intervenção da cidade com a militarização do medo.


terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

A MENININHA E O BICHO PAPÃO


Texto de Fernando Brito sobre a intervensão federal no Rio de janeiro

"Amor, ironicamente, está escrito na camiseta, apenas.

No resto é espanto, deste que faz a gente torcer as mãos, só para ter uma mão qualquer que segure a nossa na hora do medo, ainda que, por falta de outra, seja a mão de nós mesmos.

Não sei seu nome, mas não importa. Mesmo pequeninos na imagem, seus olhos contam tudo, falam da história de três anos de vida numa quase ruína, num quase escombro, o único castelo de princesa que já conheceu.

Menininha, como fazer para não ouvir, ao te ver, os versos do Vinícius…

Menininha, que graça é você/Uma coisinha assim/Começando a viver/Fique assim, meu amor/Sem crescer/Porque o mundo é ruim, é ruim e você/Vai sofrer de repente/Uma desilusão/Porque a vida é somente/Teu bicho-papão

O bicho-papão vem assim, sem reparar que se veste de verde – que é a cor com que se desenha os monstros -, que usa máscara para que você não veja que são gente fantasiada, os clóvis, os bate-bola de um carnaval mórbido e tardio, que percorre as vielas de teu mundo, mundo da favela, onde você teima em brotar, como uma flor sem nome, mas com esse rosa – e rosa-choque! – para gente que não mais se choca.

Não, menina, a cena que te assusta não será revivida em divãs, não será tema de séries “cult”, não terá um pintor que a retrate, que nem mesmo valerá uma crônica senão esta, pobre e limitada, que é só o que posso te dar.

Posso apenas te prometer, talvez falsamente, que há gente que ainda tem escrito no peito o que você tem: love. Em inglês, português, em árabe, em francês , em sânscrito, em hebreu, em qualquer língua do esperanto que é a humanidade.

E que não tem, nem nunca terá medo do bicho-papão que faça te abandonar, sozinha, a torcer as mãozinhas.

PS. A foto vai sem crédito porque não o achei, e ao autor anônimo aplaudo a delicadeza."

FERNANDO BRITO · 26/02/2018

http://www.tijolaco.com.br/blog/menininha-e-o-bicho-papao/



domingo, 18 de fevereiro de 2018

O CINISMO INSTITUCIONALIZADO


Nestes últimos dias tenho lido e ouvido de tudo um pouco sobre os desfiles, os desgovernos, as violências e agora a “intervenção federal”. Nota-se que muitos nunca moraram no Rio, alguns nem passaram por aqui, e vários só usam seus comentários para justificar o injustificável. Lamentável que estudiosos sérios estejam sendo tratados como meros palpiteiros e, pior ainda, a direita sem argumentos, para variar, se limite a impropérios e agressões. Esquecem que o preço destas barbáries pagaremos todos, independentemente da bandeira política que ostente. 

Vejamos os fatos. 

Temer trama com seus comparsas um golpe, amplamente divulgado por gravações que todos ouvimos, “com supremo, com tudo”. Fizeram. Depois tirar Temer e levar para uma eleição indireta, onde o PSDB colocaria um homem seu. Deu errado. Choveu acusações contra Temer, PSDB, ministros e o troca-troca ainda não acabou. Fundamental era tirar Lula do cenário político. Deu errado de novo. Lula sobe incontestável em qualquer pesquisa de qualquer instituto contra baixíssimos índices de outros candidatos. Moro cada vez mais desmoralizado conta com apoio do STJ para reiterar condenação e aumentar a pena. Agora Lula não pode ser candidato. Será? A reação popular é oposta aos desejos dos golpistas. Aumenta os índices de Lula, aumenta o apoio popular a Lula e aumenta as denúncias internacionais contra uma condenação sem provas e cheia de erros jurídicos. O Brasil continua se desmoralizando no exterior, processo que se iniciou com o impeachment ilegal de Dilma, cresceu com as medidas absurdas de Temer, com a compra de votos no Congresso e a venda a preços irrisórios das riquezas nacionais, algumas inclusive que nunca se vendem por se tratar de segurança nacional. Sem falar de prisões ilegais e/ou desnecessárias para dar material para a mídia, cúmplice maior e indispensável nesse teatro todo. E toma fortunas em propaganda do desgoverno cheias de falsas notícias e distorções de dados. 

Nada funcionou. Nada convenceu de fato e Lula continua uma ameaça para que a elite de sempre volte ao poder. O que fazer agora? 

Vem o carnaval, o mais famoso no mundo, e a Globo concentra esforços em TODOS os seus noticiários mostrando clips repetidos das piores imagens de assaltos, roubos, arrastões, em seus sete noticiários diários! O prefeito vai pra Europa, o governador também se ausenta para sua casa no interior e a cidade fica a mercê da bandidagem, pousando sem medo para as câmaras de TV e celulares da população que adora fornecer informação e ter cinco segundos de fama. E o carnaval? O povo grita que rejeita Temer e seu desgoverno, rejeita todos os preconceitos, mostra que não aguenta mais tanto absurdo. Nas arquibancadas o nome de Lula e Fora Temer. 

Estava montado o teatro necessário para uma intervenção. Claro que não será para o Rio somente! Já o próprio Temer afirmou em cadeia nacional que recebe todos os dias pedidos de intervenção de todo o Brasil! Anuncia um novo ministério só para segurança e agora sim, poderão “intervir” em qualquer parte do país quando bem entenderem e ainda afirmar “que as instituições brasileiras funcionam perfeitamente, respeitando os limites de competências de cada uma”. 

Entendemos, senhor golpista, teremos uma ditadura “constitucionalizada”. 

Nem o famoso humor carioca consegue rir, ou fazer piada deste descarado, deslavado, hipócrita golpe à democracia. E com certeza coloca dúvida contundente se teremos de fato eleições em 2018. 

Cristina Manga
 (in "Crônicas)


O TEMPO PASSA E CONTINUO DESENHANDO










quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

SOBRE STF E JUSTIÇA



"Carmen Lúcia, presidente do STF, afirmou na semana passada que "o que é inadmissível e inaceitável é desacatar a Justiça, agravá-la ou agredi-la. Justiça individual, fora do direito não é Justiça, senão vingança ou ato de força pessoal". Antes de tudo, é preciso dizer que nem ela, nem o STF, nem os tribunais e nem os juízes são a Justiça. Eles são integrantes de um poder do Estado e, como tal, no sistema republicano e democrático, são passíveis de críticas e precisam responder pelos seus atos perante a nação e perante a opinião pública. A toga não lhes confere poderes divinos ou angelicais. Pelo contrário - com exceções, claro, porque existem bons juízes - o Judiciário brasileiro está mais próximo da encarnação do mal. 

Como se disse, o Judiciário não é a Justiça. A Constituição o define como um dos poderes da União, sendo um de seus atributos e objetivos distribuir a Justiça, algo que o Judiciário não faz bem pela sua incompetência, pela sua parcialidade, pela sua arbitrariedade, pelos seus privilégios e pela sua corrupção. Se há alguém que aplica a Justiça de forma individual, fora do direito, como ato de vontade moral ou imoral, são muitos juízes, como vários juristas vêm denunciando. A caso do julgamento de Lula é emblemático neste sentido. Mas, diariamente, juízes decidem a partir de suas presunções e fora do direito, de forma enviesada, contra os pobres, contra os negros, contra as mulheres, contra os índios e contras várias outras minorias. Se isto não é vingança, é perseguição e é aplicação de força pessoal, respaldada por um Estado injusto. 

No Brasil, mal se tem acesso ao Judiciário. E ter acesso ao Judiciário não significa ter acesso à Justiça. Pelo seu caráter elitista, pervertido e corrompido, o Judiciário é um obstáculo ao acesso à Justiça. No Brasil, definitivamente, o Judiciário não garante a tutela jurisdicional efetiva aos direitos dos cidadãos, pois somos uma sociedade em que a imensa maioria não tem direitos garantidos. Ter acesso à Justiça, segundo doutrinadores de renome internacional, é um direito humano básico e preeminente e requisito fundamental de um sistema jurídico modero e igualitário que não se acomoda na mera proclamação dos direitos, mas que se empenha para garanti-los. Isto o nosso sistema não faz. 

Se Cármen Lúcia quis se referir ao Judiciário quando falou em Justiça, também se engana. De John Locke, pai do liberalismo moderno, aos Federalistas, de Henry David Thoreau a Martin Luther King e tantos outros, o direito à resistência e à desobediência civil a leis injustas e a poderes arbitrários é um direito consagrado no pensamento liberal-democrático dos Estados modernos e é uma forma de exercício da cidadania. No Brasil, temos várias leis injustas e os poderes, incluindo o Judiciário, degradados e perversos, a serviço de uma elite predatória. Locke conferiu estatuto de dever a desobediência a poderes arbitrários, arbítrio que se vê em muitas decisões do STF e de vários juízes. 

O STF não merece respeito porque não se dá o respeito. O STF agride a democracia de várias formas: magistrados são assessores informais do presidente da República a quem julgam; ministros do STF não se respeitam entre si, ofendendo-se mutuamente; o Tribunal é uma casa da mãe joana, sem regras, sem colegiado, funcionando sob a batuta do arbítrio individual, com a discricionalidade de um ministro poder paralisar um processo indefinidamente com um pedido de vistas; muitas de suas decisões seguem, não a lei e a Constituição, mas a vontade arbitrária aplicando decisões diferentes para casos semelhantes e assim por diante. O STF não merece respeito porque não respeita os cidadãos, as leis e a Constituição. 

O Judiciário é um poder notadamente corrupto. Juízes como Moro e os desembargadores que julgaram Lula, assim como o juiz Bredas, que se apresentam como paladinos do combate à corrupção, são moralistas sem moral. Todos eles recebem acima do teto constitucional e lançam mão de privilégios inescrupulosos e inaceitáveis, que ofendem a consciência nacional e a decência pública. O auxilio moradia é expressão da mais degradada e inescrupulosa forma de privilégios de uma casta, que merece repulsa pelo seu caráter odiento. 

O salário normal dos juízes já os coloca na faixa dos 1% de privilegiados, cujos rendimentos são mais do que 36 vezes superiores aos dos 50% que integram a população mais pobre do país. A renda média dos brasileiros é de R$ 1.242. Cem milhões vivem com até um salário mínimo. Já 90% têm renda inferior a R$ 3.300. O valor do auxilio moradia dos juízes é de R$ 4.377, fora os outros privilégios, chamados penduricalhos. Ou seja, somente esse auxilio é superior à renda de 90% dos brasileiros. Trata-se de um crime, de uma violência inaceitável contra a sociedade brasileira. Trata-se de um vergonhoso escândalo praticado por muita gente que tem casa própria. Mesmo que não a tivessem, o auxilio não se justifica porque é uma imoralidade, uma agressão ao interesse público. Esses privilégios todos, nas diversas formas de penduricalhos, atentam contra o princípio da moralidade pública inscrito na Constituição. Portanto, não são só imorais, mas também ilegais, pois se algum dispositivo os abriga, ele inconstitucional. 

O que se tem é uma profunda crise de legitimidade do Judiciário, que funciona praticando graves irregularidades: mantém presas pessoas que não deveriam estar presas, violando direitos; muitos juízes não julgam conforme o direito, mas segundo sua vontade arbitrária; muitos juízes são racistas e preconceituosos, ministram uma justiça contra os pobres e protegem os ricos; o Judiciário é incapaz de garantir uma tutela efetiva dos direitos dos cidadãos; o Judiciário é caro, moroso e ineficaz; juízes constituem uma casta de privilegiados, ofendendo os princípios republicanos e democráticos da Constituição; vários juízes, inclusive ministros do Supremo, violam recorrentemente a Lei Orgânica da Magistratura; o STF não só não vem exercendo o controle constitucional na atual crise, mas viola a própria Constituição em várias decisões. 

Isto tudo já não são formas de ativismo judicial. Trata-se de um poder degradado, que degrada a democracia e se autodegrada a si mesmo. O STF é o carro-chefe dessa degradação. Degradação que se alastra para as esferas inferiores, onde juízes de primeiro grau passaram a buscar a fama, destruindo a prudência, julgando com critérios midiáticos, ideológicos e moralistas. Ao se revelarem moralistas sem moral, por serem beneficiários de privilégios que são formas de corrupção, passam a ser alvos do desprezo e do ódio da opinião pública, deslegitimando a instituição que deveria ser a garantia do funcionamento legal e constitucional do país nesta grave crise política. 

O juiz Moro foi um dos artífices do golpe contra a democracia e o STF dele também participou de forma ativa e pela omissão. Ali está a raiz da degeneração e da degradação desse poder. O horizonte que se tem pela frente é o da anarquia judicial, da insegurança jurídica, das bravatas de juízes a exemplo desse que tomou o passaporte de Lula, das conspirações na emissão de sentenças a exemplo dos três desembargadores do TRF-4, da perseguição jurídica como a praticada por Moro e da fanfarronice como a praticada por Bredas ao se apresentar portando um fuzil. Se a perda da sacralidade pelos homens e mulheres de toga é um ganho para a cidadania, a anarquia judicial é um estímulo crescente para a violência social e poderá sê-lo para a violência política, pois as instituições mediadoras estão desmoralizadas."

  Aldo Fornazieri
 (Publicado no Blog GGN do Luís Nassif.)


sábado, 3 de fevereiro de 2018

domingo, 10 de dezembro de 2017

VOCÊ SABIA?

Há muitos anos atrás essa informação correu via e-mail em formato PowerPoint.
Agora esta entrevista divulga a mesma informação. As imagens não são tão nítidas, mas a informação vale a pena.



A CORRIDA DA VIDA

Na corrida da dessa vida é preciso entender,
que você vai rastejar, vai cair, vai sofrer.
E a vida vai lhe ensinar que se aprende a caminhar
e só depois a correr.

A vida é uma corrida que não se corre sozinho,
onde vencer não é chegar, é aproveitar o caminho,
sentindo o cheiro das flores e aprendendo
com as dores causadas por cada espinho.

Aprenda com cada dor, com cada decepção, 
com cada vez que alguém lhe partir o coração.
O futuro é obscuro e às vezes é no escuro 
que se enxerga a direção.

Aprenda quando chorar, quando sentir saudade, 
aprenda até quando alguém lhe faltar com a verdade.
Aprender é um grande dom, aprenda que até o bom 
vai aprender com a maldade. 

Aprender a desviar das pedras da ingratidão, 
dos buracos da inveja, das curvas da solidão, 
expandindo o pensamento, 
fazendo do sofrimento a sua maior lição. 

Sem parar de aprender, aproveite cada flor, 
cada cheiro no cangote, cada gesto de amor, 
cada música dançada e também cada risada 
silenciando o rancor. 

Experimente o mundo, prove de todo sabor,
sinta o mar, o céu e a terra, sinta o frio e o calor,
sinta sua caminhada e dê sempre 
uma parada pelo caminho que for.

Pare, não tenha pressa, não carece acelerar, 
a vida já é tão curta,
é preciso aproveitar essa estranha corrida, 
que a chegada é a partida e ninguém pode evitar. 

Por isso que o caminho tem que ser aproveitado, 
deixando algo bom para ser lembrado.
Vivendo uma vida plena, fazendo valer à pena 
cada passo que foi dado.

Aí sim, lá na chegada, onde o fim é evidente,
é que a gente percebe que foi tudo de repente,
e aprende na despedida que o sentido dessa vida 
é sempre seguir em frente.
Bráulio Bessa





quinta-feira, 2 de novembro de 2017

AS FANTÁSTICAS FOTOS DO MEU AMIGO FOTÓGRAFO

Há muito coleciono as fantásticas fotos de Cadú de Castro, que orgulhosamente chamo de amigo, não pela proximidade física, mas pela afinidade do olhar sobre a realidade.

Cadú tem a sensibilidade de um poeta e  cria poemas em imagens. Isso me cativa. 

Em suas viagens, nos seus trabalhos, na sua convivência com indígenas nos traz o ritmo da vida, hoje numa aldeia Tukano no Médio Amazonas.

Registro aqui uma pequena parte deste trabalho. Suas imagens dispensam maiores apresentações.