terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

PODA

                                  


Eis a hora: aquela que me pertence
esvaindo-se por meus dentes trincados.
O vazio em mim quer abrir espaços.

Não. Digo não e é não!
Não permito, não quero, não tem sentido,
não vais roubar-me um pedaço.

Falta-me um braço?
Resta-me um para o abraço.
Falta-me palavras?
Restam-me os lábios.
Dormiram os pardais?
Resta-me toda uma noite e mil outras
para esperar, acreditar,
sonhar que é possível sonhar.

Eis a hora. Querem tirar?
Pois tirem tudo, cada pedaço,
cada membro, cada sentimento
e continuarei a cantar e a esperar e a sonhar!

                                                                 
Cristina Manga                                                         
(in "Verde Floresta Verde")


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